> Melninas: Maio 2017

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Barquinho de Papel



Eu sempre te disse que você era mar. Eu sempre gostei de metáforas e essa sempre foi a minha preferida pra você, você sabe. Tuas semelhanças com o mar eram tantas e essa era a situação perfeita para uma fã de metáforas e metida a poeta e a escritora como eu. Você era perfeito pra um poema. Mas eu não conseguia achar versos. Não conseguia porque tu já era o poema em si. Cada pedacinho de ti era um poema que eu gostaria de recitar.

Mas devemos voltar ao mar. Foi ele que me trouxe aqui e é nele que tudo acaba, afinal. Eu poderia listar tuas semelhanças com o mar. I. Extremamente profundo [isso eu nunca soube te explicar. Você é profundo e é isso. Acho que nunca entenderei] II. Existem coisas que ainda não foram descobertas. Assim como no mar, existem pedaços de você que nem você mesmo conhece. Lembra quando eu te disse que você tinha medo disso tudo? Eu estava certa e você apenas não conhecia essa sua parte. III. O azul. Cê não tem os olhos azuis, mas o castanho deles me fazem querer ir de encontro ao azul do mar. IV. Eu nunca soube nadar e isso fala por si só. 

Naquela terça-feira você descobriu que era mar e que eu era só um barquinho de papel. Eu sempre fui barquinho de papel que sofre naufrágio nessas águas. Eu estou aprendendo a me recuperar e esse texto é só pra eu lembrar do naufrágio que meu barquinho sofreu nas tuas águas. Um barquinho tão frágil não sobreviveria a um agito dessas águas revoltadas e que não sabem pra que lado ir. Esse era você: um mar de águas agitadas que afinal não sabe pra que direção deve correr. 

Eu me perdi num mar só de ondas tuas. Pudera tu mesmo vir me salvar?

***

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sábado, 20 de maio de 2017

amadora

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Eu prometi que não te escreveria mais, XXX.
Eu juro que a vontade está passando. Mas eu ainda preciso escrever que tu ainda faz parte de mim.
Cê não sai de mim.
E o engraçado é que cê não tá aqui.

Cê vai sair de mim?
Eu procuro palavras pra te escrever [mesmo que tu não leia] porque eu preciso tirar o resto que tem de ti em mim. Resto? Resto é quando sobra, e cê ainda tá inteiro aqui dentro.

Eu choro no banho porque é como se minhas lágrimas lavassem um pouco do que tem de você aqui, como se você escorresse pelo ralo.

Metáforas.

Eu gosto de metáforas. Eu nunca entendi as suas. Mas eu amava. É que cê gostava mais das entrelinhas que das metáforas.

Não entendia suas metáforas quando você disse que nós éramos duas máquinas que pareciam que funcionavam perfeitamente iguais por fora. Mas nós não éramos opostos?

[meu deus, ai vem as lágrimas de novo. me desculpa]

Nós não éramos opostos? Então que metáfora era aquela? Entrelinhas. Entrelinha é uma coisa que eu não entendo. Mas eu respeito. Você sempre deixava as coisas nas entrelinhas e eu nunca soube ao certo o que cê sentia por mim.

Como naquela sexta a tarde que tu disse que eu era "com certeza mais que uma amiga". Amiga? Não podemos ser amigos, tem tanta coisa envolvida: o beijo, o abraço, tua reação ao meu cheiro, meu desmontar ao teu abraço, meu choro na tua calça, tua mão na minha perna, aquela música que nos descreve e a primeira vez que cê quis me beijar.

Mas acho que eu não nasci pra ser amada.

Eu gritava "não" pro mundo e repetia teu nome diversas vezes [baixinho pra ninguém escutar] enquanto me afogava nas minhas próprias lágrimas e só conseguia pensar: eu não nasci pra ser a.m.a.d.a.

Eu não sei ser boa o suficiente.
Eu não sei ser algo que cê sinta falta.
Eu não quero teu carinho. Eu não quero o teu amor. Eu não quero "não perder o contato contigo". Eu quero você dentro de mim. Mas quanto de mim tu aguenta em ti?

Eu não nasci pra ser amada.
Me desculpa ter escrito isso depois desse tempo.
Tu ainda tá em mim, ao contrário do que eu pensava.
Tu ainda tá em mim.
Me desculpa.
Eu sinto muito.

E o título desse texto é "amadora" porque é isso que eu sou.

Amadorismo: s.m. Falta de técnica a realização de um trabalho.


***
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