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sábado, 20 de maio de 2017

amadora

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Eu prometi que não te escreveria mais, XXX.
Eu juro que a vontade está passando. Mas eu ainda preciso escrever que tu ainda faz parte de mim.
Cê não sai de mim.
E o engraçado é que cê não tá aqui.

Cê vai sair de mim?
Eu procuro palavras pra te escrever [mesmo que tu não leia] porque eu preciso tirar o resto que tem de ti em mim. Resto? Resto é quando sobra, e cê ainda tá inteiro aqui dentro.

Eu choro no banho porque é como se minhas lágrimas lavassem um pouco do que tem de você aqui, como se você escorresse pelo ralo.

Metáforas.

Eu gosto de metáforas. Eu nunca entendi as suas. Mas eu amava. É que cê gostava mais das entrelinhas que das metáforas.

Não entendia suas metáforas quando você disse que nós éramos duas máquinas que pareciam que funcionavam perfeitamente iguais por fora. Mas nós não éramos opostos?

[meu deus, ai vem as lágrimas de novo. me desculpa]

Nós não éramos opostos? Então que metáfora era aquela? Entrelinhas. Entrelinha é uma coisa que eu não entendo. Mas eu respeito. Você sempre deixava as coisas nas entrelinhas e eu nunca soube ao certo o que cê sentia por mim.

Como naquela sexta a tarde que tu disse que eu era "com certeza mais que uma amiga". Amiga? Não podemos ser amigos, tem tanta coisa envolvida: o beijo, o abraço, tua reação ao meu cheiro, meu desmontar ao teu abraço, meu choro na tua calça, tua mão na minha perna, aquela música que nos descreve e a primeira vez que cê quis me beijar.

Mas acho que eu não nasci pra ser amada.

Eu gritava "não" pro mundo e repetia teu nome diversas vezes [baixinho pra ninguém escutar] enquanto me afogava nas minhas próprias lágrimas e só conseguia pensar: eu não nasci pra ser a.m.a.d.a.

Eu não sei ser boa o suficiente.
Eu não sei ser algo que cê sinta falta.
Eu não quero teu carinho. Eu não quero o teu amor. Eu não quero "não perder o contato contigo". Eu quero você dentro de mim. Mas quanto de mim tu aguenta em ti?

Eu não nasci pra ser amada.
Me desculpa ter escrito isso depois desse tempo.
Tu ainda tá em mim, ao contrário do que eu pensava.
Tu ainda tá em mim.
Me desculpa.
Eu sinto muito.

E o título desse texto é "amadora" porque é isso que eu sou.

Amadorismo: s.m. Falta de técnica a realização de um trabalho.


***
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8 comentários:

  1. O primeiro passo para ser poeta é sentir.
    Que grande poeta você está se tornando, menina!
    (sinta mais, sempre. dói, mas nos dá textos lindos)

    leticiaeostreze.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. não tem que doer pra ser real?
      obrigada, leticia <33

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  2. excelente! fiquei até arrepiada lendo. amei <3


    Beijinhos
    n. // www.fashionjacket.com.br

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  3. Lindo o texto e muito bonita a imagem também..
    Parabéns pelo post..

    Dani Ramos
    http://donaengenhosa.com.br/

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